The Sinner – Até onde o significado da palavra motivo pode chegar?

A novidade, distribuída mundialmente na última sexta feira (10), é uma produção do canal USA, que traz Jessica Biel de volta às telas, não só como protagonista, mas também com sua assinatura pessoal na produção executiva do show. Ícone dos suspenses e de algumas franquias de terror dos anos 90, Biel dá vida à Cora, uma jovem mãe média americana que tem um surto psicótico durante um fim de semana com a família, e acaba esfaqueando e assassinando um rapaz a sangue frio, sem saber explicar o crime.

Baseado na obra alemã de mesmo título, escrita por Petra Hammesfahr, o thriller traz uma atuação memorável de Biel, que parece ter voltado apenas para colocar um ponto final na discussão sobre seus desempenhos em cena. Apesar de possuir um currículo sem grandes sucessos de crítica ou qualquer excesso de requinte, a atriz prova em cada uma de suas sequências seu profissionalismo e dedicação, traduzindo em imagem os sentimentos da traumatizada Cora de forma intimista e grandiosa.

Outro ponto do seriado que merece destaque é o desenvolvimento da narrativa que consegue ditar suas próprias regras de maneira imponente e traz ao público reviravoltas constantes e irremediáveis. The Sinner é a típica história que provavelmente vai explodir a sua mente apenas com a forma com que apresenta sua trama tão volátil e tão constante. A série é o tipo de programa que te toma e te enlouquece, não só com os diálogos e a força na evolução do texto, mas também com um trabalho de câmera bastante abrangente, uma fotografia cética e uma doutrina que faz parte da identidade da série.

Apesar da proposta possuir sua singularidade, grandes influências ícones, principalmente no suspense como, por exemplo, Hitchcock, a novidade pode facilmente se tornar um verdadeiro pecado quando colocamos em análise todas as manobras realizadas com o roteiro, apenas para que a história pudesse surpreender o público da maneira primorosa como foi feita. Em uma visão mais ampla, a narrativa se distancia da realidade sem grandes dificuldades e, infelizmente, prejudica a solidez da história, fator de grande importância em thrillers. 

O apelo sexual, o núcleo da família de Cora, diversas narrativas e histórias secundárias inseridas durante a série que vão de nada a lugar algum. Ainda que traga uma edição de som realmente envolvente, a história facilmente te assaltaria a consciência, mas assisti-la pode sim deixar algumas pessoas frustradas, e isso se deve aos buracos na trama, que acaba tropeçando enquanto tenta acelerar os fatos agregando mais tensão à narrativa.

Sua primeira temporada possui oito episódios de, em média, 40 minutos, todos inteiramente disponíveis na Netflix. Confira o trailer:

 

Jôicy Franco

Social Media, 24 invernos.
Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.

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Basicamente um desenho animado tentando sobreviver no mundo real.