Uma câmera profissional basta para que eu seja um fotógrafo?

Talvez eu não seja a pessoa certa para chegar aqui e dizer que uma boa câmera não é o suficiente para que você seja um fotógrafo profissional. Eu não sou fotógrafa, não estudei o bastante (ainda) para ser uma e tenho uma relação de altos e baixos com a fotografia.

Explico.

Por muito tempo eu quis ser uma fotógrafa e cogitei até a fazer pós-graduação na área, mas as circunstâncias da vida não quiseram que assim acontecesse. E é justamente nesses momentos que a gente entende o que realmente quer. Eu já achava que ser fotógrafo era difícil pra caramba e eu nem havia chegado perto disso. Como tive aulas de fotografia em uma matéria da graduação, descobri que ali seria o meu começo. Comprei alguns equipamentos, assisti a todas as aulas, fiz atividades extras, participei de cursos, ajudei alguns colegas de sala, até que comecei a aceitar alguns trabalhos remunerados (mesmo que pouco) na cidade. Eu sentia que sabia o que estava fazendo e nada como uma sensação desta para fazer com que a gente se sinta confiante.

No fim da minha graduação, comecei a montar um portfólio e decidi que meu TCC seria desenvolvido dentro da fotografia e que eu faria sozinha. Talvez tenha sido nesse momento que comecei a desistir de tentar começar (e aperfeiçoar) uma carreira na área. Deu trabalho, bateu o desânimo, bateu muito desespero e eu achei que não ia dar conta do recado. Foi ali, quando duvidei de mim, que decidi que essa não era uma carreira para mim. (A critério de curiosidade, fui aprovada com nota máxima no TCC, isso pelo menos deu certo). Talvez todos os fatos que me vieram à mente para que eu entendesse o que é realmente ser fotógrafo me fizeram entender que era bem mais difícil do que só ter uma câmera boa. E eu exponho tais fatos agora:

É preciso amar MUITO o que você faz. E é preciso fazê-lo com toda a sua dedicação. Em algum momento vai surgir uma preguicinha de ir trabalhar talvez num sábado à noite, mas mesmo assim você se apronta e vai. Os trabalhos que eu fazia começaram a se tornar uma obrigação que me chateava. Consequentemente eu não me dedicava o máximo que podia e isso, claro, me atrapalhava.

Você vai ouvir muita crítica. Suas opções são: ouvir e melhorar ou ignorar e seguir em frente. Eu nunca fui uma pessoa que consegue ignorar críticas, mesmo que elas sejam desnecessárias. E sempre que melhorava, ficava cada vez mais insegura, achando que ainda não era o suficiente. Mais um ponto para a desistência.

“Mas com uma câmera dessa até eu consigo fazer essas fotos”. Sim, essa é a frase que você mais vai ouvir durante o tempo em que estiver fotografando. Eu realmente acredito que não é o equipamento que faz o fotógrafo. Os dois, juntos, dão o resultado. Um não é nada sem o outro. Mas não é necessário que a sua câmera seja a mais cara da galáxia para que você seja bom. E aí voltamos ao primeiro ponto: amor e dedicação. As pessoas nunca vão entender isso, mas tenhamos fé.

A cobrança aumenta a cada dia que passa. Eu me cobrava e, mesmo quando não tinha mais o que melhorar, ainda conseguia procurar defeitos. Nunca havia um equilíbrio, pois procurava defeitos demais até que deixei os mesmos passarem despercebidos. Até que o bom se tornou ruim. Para mim, só para mim. E isso basta.

Não tenho mais a pretensão de antes em me tornar uma profissional, mas mantenho a fotografia como um hobby. Um hobby que ainda me encanta como antes. O que me desiludiu foi a obrigação de ser alguém que fotografa para ganhar dinheiro.

Um fotógrafo é feito de vários aprendizados, de dedicação, de vontade de criar e de amor. E nós, que gostamos de fotografar, só conseguimos entender isso quando temos um bom equipamento em mãos. Por que? Porque só assim percebemos que somos os mesmos, com ou sem uma câmera boa. O meu olhar vai dizer o que eu sou, e não a lente que uso para enxergar.

Fotografia é muito mais do que apertar um botão. O seu foco pode estar no automático, sua lente pode ter estabilizador, você pode usar Canon ou Nikon. Não importa. O que eu fotografo vem do meu olhar. E para enxergar, eu não preciso de equipamentos caros.

Even Vendramini

Jornalista, de Barretos – SP, morando na Bahia. De humanas, especialista em dramas e escritora nas horas vagas. Se deixar eu dou nó até em pingo d’água. Ah, e Molejo é melhor que Beatles!

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