Lupatech registra valorização na bolsa e mantém foco no setor de petróleo e gás

A Lupatech S.A., companhia brasileira com longa trajetória na indústria de petróleo, gás, etanol e biodiesel, encerrou o último pregão com uma valorização de 3,81% em suas ações, que atingiram o valor de R$ 1,36. A mínima do dia foi de R$ 1,30 e a máxima chegou a R$ 1,37, com volume financeiro de R$ 402.181,00 em 431 negócios realizados.
Apesar da alta recente e de um crescimento acumulado de 15,25% em 2025, o desempenho da empresa ainda reflete os desafios enfrentados nos últimos anos. Nos últimos 12 meses, as ações da Lupatech acumulam uma desvalorização de 26,48%, revelando uma trajetória marcada por altos e baixos no mercado financeiro.
Fundada em 1980, a trajetória da Lupatech começou com a criação da Microinox, uma empresa dedicada à produção de componentes fundidos para válvulas industriais. Em 1984, surgiu a Valmicro, voltada à fabricação de válvulas completas. A consolidação das duas companhias ocorreu em 1993, quando a Valmicro incorporou a Microinox e a nova entidade passou a se chamar oficialmente Lupatech S.A.
Ao longo das décadas seguintes, a empresa recebeu aportes de fundos de investimento importantes, como o Bozano Simonsen-Advent, o BNDESpar e a GP Investimentos. Também expandiu suas operações com a fundação da Lupatech North America, nos Estados Unidos, em 2002, e passou a fazer parte do Novo Mercado da B3 em 2006, segmento reconhecido por exigir altos padrões de governança corporativa.
A Lupatech também protagonizou uma série de aquisições estratégicas entre 2006 e 2016, como a Jefferson Sudamericana, Gavea Sensors, Sinergás GNV do Brasil Ltda, Tecval e Fiberware. Essas compras ampliaram sua presença e diversificação no setor, reforçando sua atuação tanto no fornecimento de equipamentos quanto na prestação de serviços especializados.
Entre os produtos que compõem seu portfólio, destacam-se os cabos utilizados na ancoragem de plataformas em águas profundas, válvulas manuais e automatizadas, além de equipamentos voltados à completação de poços e ao revestimento de tubos. Esses itens são cruciais para operações de exploração, transporte e refino de petróleo, bem como para toda a cadeia de hidrocarbonetos.
No entanto, a empresa enfrentou dificuldades financeiras severas, que a levaram a entrar em recuperação judicial em 2016. Dois anos depois, em 2018, registrou receita líquida de R$ 126 milhões, com lucro bruto de R$ 19 milhões, mas ainda acumulando prejuízo líquido de R$ 101 milhões — um indicativo de que, embora operando, a companhia ainda lutava para reequilibrar sua saúde financeira.
Mesmo com esses desafios, a Lupatech segue ativa no mercado, buscando retomar a lucratividade e fortalecer sua posição como fornecedora relevante para a indústria energética brasileira e internacional. A valorização recente das ações pode indicar uma retomada de confiança dos investidores no potencial da companhia, especialmente diante da recuperação parcial observada em 2025.
A continuidade dessa recuperação dependerá de diversos fatores, entre eles o comportamento do mercado de petróleo e gás, a capacidade da empresa em manter contratos relevantes, e o sucesso na reestruturação de sua operação financeira e produtiva.